Para muitos, o Dia de São Valentin será como nenhum outro. Se você está passando o dia longe de seus entes queridos e não gosta da seleção de cartões com frases prontas, escrever um poema pode ser uma maneira mais pessoal de entrar em contato e se conectar. Certamente, parafraseando John Donne, “mais do que beijos, [poemas] conectam almas”.

Aqui estão alguns poemas nos quais você pode se inspirar, bem como algumas dicas para ajudá-lo a conquistar os primeiros rascunhos na página.

Faça uma lista

Em seu soneto, How Do I Love Thee (Como Eu te Amo) ,de Elizabeth Barrett, ela demonstra a eficácia do poder de permanência quando se trata de escrever romance. Após se propor a contar as formas, o poema se apega com determinação ao seu conceito inicial – como eu te amo – respondendo à pergunta de todos os ângulos possíveis, alcançando “a profundidade, a largura e a altura que minha alma pode alcançar”.

Como eu te amo demonstra que uma peça de escrita se torna íntima e persuasiva, quando incorporamos uma lista dentro de um poema. Isso se repete de uma forma puramente mais tola, em Ways of Making Love (Formas de Fazer Amor), de Hera Lindsay Bird. Em seu poema, Bird desdobra uma lista surpreendente e decididamente nada sexy de elementos equiparados para “responder” ao título instrucional do poema:

Like a metal detector detecting another metal detector.

Like two lonely scholars in the dark clefts of the Cyrillic alphabet.

Like an ancient star slowly getting sucked into a black hole.

 

Como um detector de metal detectando outro detector de metal.

Como dois estudantes solitários nas fendas escuras do alfabeto Cirílico.

Como uma estrela antiga sendo sugada para um buraco negro.

Se é mais sincero ou mais alegre, um “poema lista” é uma oportunidade de recordar as peculiaridades de um relacionamento. Parte uma prece, parte uma graça, pode quantificar o aparentemente inquantificável, porque a necessidade de encontrar a resposta seguinte à pergunta da abertura o força a pensar criativamente e explorar além do óbvio.

Porque não começar com um título como “Cada Coisa que Você Faz”, e se desafiar por pelo menos quarenta linhas. Ou talvez você pode querer responder à questão original de Barrette Browning à luz de nosso cenário atual:

I love you further than two metres;

I love you beyond the limits of my daily walk.

Eu amo você mais que dois metros;

Eu amo você além dos limites de minha caminhada diária.

Abrace o desejo

Ways of Making Love pode não corresponder ao erotismo de seu título, mas o “Desejo de um Desejo”, de Selima Hill, certamente entrega:

It taunts me

like the muzzle of a gun;

it sinks into my soul like chilled honey

packed into the depths of treacherous wounds;

 

Isso me provoca

Como o cano de uma arma;

Como mel gelado, afunda em minha alma

embalada nas profundezas de ventos traiçoeiros;

Nesta variação do “poema lista”, Hill toma o desejo como ponto de partida e relata seus efeitos nos detalhes, quase dolorosos, da sensualidade. Semelhantemente, em For Desire (Pelo Desejo), de Kin Addionzo, a poeta comemora o que é querer algo sem restrição ou culpa, se aquele é “o queijo mais saboroso”, “o vinho bom”, ou “o amante que escancara a porta de sua casa e me pressiona contra a parede”. Em Fucking in Cornwall (Transando em Cornwall), Ella Frears abraça as realidades menos glamourosas do sexo e do desejo:

The rain is thick and there’s half a rainbow

over the damp beach; just put your hand up my top.

A chuva é densa e há meio arco-íris sobre a praia úmida;

Coloque apenas sua mão sobre meu colo.

Pode não ser uma obra de drama de grande orçamento, mas é alegre em sua nostalgia pela dificuldade desajeitada do primeiro amor, e das delícias chuvosas do litoral inglês.

Cada um destes poemas comemora o poder de declarar o anseio e a necessidade de articular o corpo e o que ele quer.

Seja divertido

Talvez você observe algo familiar sobre as linhas de abertura de Frágil Dama, de Harryette Mullen:

My honeybunch’s peepers are nothing like neon. Today’s special at Red Lobster is redder than her kisser. If Liquid Paper is white, her racks are institutional beige. If her mop were Slinkys, dishwater Slinkys would grow on her noggin.

Os observadores do meu favo de mel não são nada como neon. O especial de hoje no Lagosta Vermelha é mais vermelho do que seu beijador. Se o corretivo for branco, suas mobílias são de um bege básico. Se o esfregão dela fosse sinuoso, curvas sinuosas de lava-louças cresceriam em sua cabeça.

Nesta ode acelerada, Mullen pega o famoso Soneto 130 de Shakespeare (“Os olhos de minha amante não são nada como o sol”) – tornando-o uma paródia – e efetivamente rabisca tudo sobre ele. Enquanto ela mantém o estilo do original, ela substitui quase todas as palavras por uma referência contemporânea à cultura de consumo de massa, tornando toda a declaração – e a indústria do amor – alegremente ridícula.

 

Frágil Dama demonstra o poder da reescrita e celebra o fato de que a poesia – como o amor – pode ser uma colaboração lúdica e adaptável. Como o questionário do pub Zoom e a sala de fuga online, a substituição de palavras de Mullen é um jogo que pode ser jogado a qualquer distância.

Por que cada um não pega o Soneto 130 e apresenta suas próprias versões usando um quadro de referência diferente. Tipos de planta? Programas de TV? Marcas de biscoitos? Em seguida, troque e compare os resultados.

E lembre-se, seja qual for o estilo que você decidir tentar neste Dia de São Valentin, tenha em mente o sábio conselho do poeta Les Murray:

The best love poems are known

as such to the lovers alone.

Os melhores poemas de amor são conhecidos

como tal, apenas para os amantes.

Quando se trata de escrever seu próprio verso, lembre-se, é o pensamento que conta.

 


Traduzido do inglês para o português por Mychelle Medeiros / Revisado por Larissa Dufner